Antigamente, só os ricos e poderosos podiam ter o prazer de ouvir piano ou uma orquestra, daí não termos criado este gosto musical.
No dia 07 de março deste ano, foi realizado no Pró-Música um concerto em homenagem aos 180 anos de falecimento do compositor alemão Schubert com entrada franca.
O teatro estava cheio, mas não superlotado e tivemos a oportunidade de ouvir o tenor Sérgio Righini acompanhado da pianista Alda de Mattos, dois respeitados nomes da música clássica no Brasil.
Este projeto de dar a todos a oportunidade de ter acesso à cultura é nota 10 e esperamos que outros eventos como esse acontecem em Juiz de Fora.
Não há como descrever como aquelas músicas penetram em nossa alma e mexem com nossos
sentimentos, despertando uma sensibilidade à flor da pele, capaz de arrancar lágrimas de emoção e nos fazer viajar pela nossa própria história de vida.
O clima no teatro era de emoção e as pessoas estavam compenetradas, num silêncio que só era quebrado para os aplausos, que eram fortes e prolongados. Estar naquele local, foi um privilégio, um presente para todos.
Ouvir músicas que foram compostas no século XIX por um artista genial como Schubert é uma experiência ímpar.
Esperamos que novos eventos aconteçam e que muitas pessoas possam usufruir deles.
Conheça um pouco da história desse grande compositor:
Franz Seraph Peter Schubert nasceu em 1797 e morreu em 1828, viveu apenas 31 anos, mas deixou uma grande obra para a humanidade.
Schubert não desfrutou de fama e não é tão conhecido como Mozart e Beethoven, mas sua contribuição música é quase tão importante quanto a deles.
Nascido num subúrbio de Viena e ainda jovem brigou com o pai e foi morar na casa de amigos, levando uma vida de boêmio. Não se casou e sua única aventura amorosa lhe transmitiu sífilis (DST).
Sua vida não teve lances espetaculares, amores fulminantes ou triunfos memoráveis. Foi simples, despretensiosa, preocupado apenas em fazer música. Aos 18 anos, já tinha escrito 203 músicas. Escrevia de tudo: sinfonias, sonatas, peças para piano, lieder. O que é lieder? Lied (singular de Lieder) é uma expressão que pode ser grosseiramente traduzida como canção, mas refere-se à um tipo muito particular de canção. Do mesmo modo que é impossível explicar com palavras o que é uma Modinha ou uma Seresta brasileira, por terem características marcadamente regionais, o lied alemão também não pode ser explicado.
Schubert foi sobretudo mestre desse gênero. Escreveu cerca de 600 lieder, sobre textos dos mais diversos autores, desde Shakespeare e Goethe a alguns obscuros poetas austríacos, conhecidos hoje apenas por terem seus versos musicados por Schubert. Em seus lieder, escritos para voz e piano, o piano não aparece apenas como acompanhamento: é parte integrante da ação, narrador e comentarista.
Segundo relatos da época, Schubert escrevia como que em transe, em qualquer lugar, a qualquer hora. Mesmo durante a noite: dormia de óculos para anotar mais rápido as idéias que tivesse.
Apesar de escrever belas canções, nunca se destacou escrevendo óperas. A mais popular foi apresentada 12 vezes. Suas sinfonias, então, não chegaram sequer a ser apresentadas durante sua vida. Schubert pouco se importava com o que escrevia. Freqüentemente esquecia manuscritos em bancos de jardim, casas de amigos, tabernas ou em qualquer lugar que estivesse.
Embora não tenha realmente sido amado por nenhuma mulher e ter vivido numa pobreza constante, o temperamento de Schubert era sempre lembrado por seus amigos como muito alegre. Melancolia? Só na música.
Muitos autores se referem as "duas vidas" de Schubert. E não deixa de ser assim: a vida real, pobre e tristonha, e a vida artística, onde Schubert se realizava. Não por acaso, a grande paixão de sua vida foi uma das primeiras intérpretes de suas obras, a soprano Thérese Grob.
A parcial obscuridade em que se encontra a música de Schubert deve-se ao fato de que ele não foi nenhum revolucionário. Pelo contrário, soube perfeitamente aprender a linguagem musical de seu tempo.
E as limitações ao artista no século XIX eram muitas. Para se escrever uma música, por exemplo, havia uma série de regras de composição que deviam ser respeitadas. Beethoven ignorou essas regras, Schubert aceitou-as. E ambos são geniais.
Para quem não está familiarizado, uma boa abordagem inicial da música de Schubert é a Sinfonia nº 8 em si menor, a Inacabada. Essa música resume muitos aspectos do compositor: melancólica, enérgica e muito melodiosa. Na primeira audição já é possível assobiar suas melodias. A orquestração não traz efeitos espetaculares, mas o espetacular nunca foi o forte de Schubert.
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